terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


Em 1950, o Atlético foi convidado para representar o futebol brasileiro no exterior. Pela primeira vez uma equipe das Alterosas e do país iria jogar na Europa, enfrentando adversários temíveis e tendo no frio o seu principal obstáculo. Boa parte da imprensa combatia e criticava essa excursão temendo um fracasso do time mineiro no exterior. Mas a torcida confiava no Galo. A equipe vinha de um título muito bem conquistado em 1949, estava armada e com moral excelente. Tinha condições de alcançar bons resultados. Os componentes da embaixada do Clube Atlético Mineiro apresentaram-se no Estádio de Lourdes todos devidamente aprontados. Com um uniforme preparado para o inverno que os esperava, compunham-se de calça cor cinza, paletó jaquetão azul, camisa branca e gravata azul. Todos de muito bom humor e cheios de expectativas, foram levados para o Aeroporto da Pampulha. Às 16 horas e 20 minutos, precisamente, decolaram com destino ao Rio de Janeiro. Às 17 horas e 50 minutos, aterrissaram no aeroporto Santos Dumont. No transcurso da viagem, todos se mostravam alegres e tranqüilos. Do Rio de Janeiro embarcaram para o Velho Mundo. A estreia do Galo na Europa foi marcada para o dia 1º de novembro em Munique, contra o Munich 1860 - um dos quadros mais famosos da Alemanha, na época. As arquibancadas estavam lotadas e o público prestigiava a presença dos brasileiros. No primeiro tempo, desenvolvendo um bom futebol, o Atlético abriu uma vantagem de 3 a 1. Na fase final, recuando para defender o marcador, acabou cedendo o empate. E quando todos pensavam que o jogo terminaria empatado em 3 a 3, Vaguinho, nos últimos instantes da partida, em jogada sensacional, marcou o 4º gol dando a vitória ao glorioso alvinegro por 4 a 3. Além de Vaguinho, Lucas (2) e Lauro marcaram gols para o Atlético. Para o jogo de estreia foram escalados: Mão de Onça; Oswaldo e Afonso; Moreno, Zé do Monte (Barbatana) e Haroldo; Lucas, Lauro, Vaguinho, Alvinho e Nívio (Murilinho). No segundo jogo, o Atlético enfrentou o Hamburgo SV, em Hamburgo. Registrou-se recorde de vendas de ingressos para este jogo. O estádio estava com a capacidade esgotada. O gramado excelente e sem falhas. Melhor atuação dos alvinegros e que mereceu aplausos do público: derrotou a poderosa equipe alemã por 4 a 0, jogando de forma objetiva e cheia de garra. Nívio (com 2 gols), Alvinho e Lucas foram os artilheiros da partida, jogando com: Mão de Onça; Afonso (Juca) e Oswaldo; Moreno, Zé do Monte e Haroldo; Lucas, Lauro (Zezinho), Vaguinho, Alvinho e Nívio. Para o terceiro jogo, a equipe deslocou-se para a Alemanha do Norte e o frio foi cada vez mais intenso. As fotos da época registraram como os jogadores faziam para se proteger nas partidas. Grossos agasalhos por baixo das camisas e gorros de lã amenizavam os jogadores de correr sob as baixíssimas temperaturas.


Mas mesmo com esses cuidados, o terceiro jogo não teve um final feliz e marcou a primeira derrota do Atlético: 3 a 1 para o Werder Bremen, que jogou muito bem. Considerando-se que a partida foi realizada um dia após o jogo de Hamburgo, sem tempo para qualquer recuperação. O único gol do Galo foi assinado por Lucas, uma das maiores figuras do Atlético de todos os tempos. O Atlético formou com: Mão de Onça; Afonso e Juca; Vicente, Zé do Monte (Haroldo) e Moreno; Lucas, Zezinho, Lauro, Alvinho e Nívio. Com sete dias de descanso para recuperação, o Atlético voltou a vencer jogando em Gelsenkirchen, na Prússia, contra o Schalke 04. O estádio era pequeno e não havia grama. Era pura terra. 3 a 1 foi o placar que traduziu a superioridade alvinegra nos 90 minutos de jogo. Vaguinho (2) e Lucas asinaram os gols do Atlético. A partida realizada no dia 12 de novembro teve os seguintes jogadores relacionados: Mão de Onça; Juca e Oswaldo; Afonso, Zé do Monte e Barbatana; Lucas, Lauro, Vaguinho, Alvinho e Nívio. Para o próximo jogo, o Atlético saiu da Alemanha em direção a Áustria. A delegação toda estava empolgada para conhecer a cidade de Viena. E parece que esse encanto tomou conta de todos os jogadores. Perderam para o Rapid por 3 a 0. Jogaram: Kafunga; Juca e Oswaldo; Afonso, Zé do Monte e Barbatana; Lucas, Lauro (Alvinho), Vaguinho, Nívio e Murilinho. O Atlético voltou à Alemanha no dia 20 de novembro e foi jogar em Saarbrücken, contra adversário com o mesmo nome: 2 a 0 pro Galo, com Nívio marcando os dois gols. O Atlético jogou com: Kafunga; Juca e Oswaldo; Afonso, Zé do Monte e Barbatana; Lucas, Alvinho, Vaguinho, Nívio e Murilinho. Dois dias depois, em 22 de novembro, a equipe mineira voltava a campo. Agora em Bruxelas, onde enfrentaria o Anderlech. E mais uma vez o Galo enfrentou os 90 minutos de jogo com muita fibra e dedicação. O resultado final foi 2 a 1, com Vaguinho marcando no primeiro tempo e Alvinho marcando nos últimos minutos. Grande vitória conquistada por Kafunga; Juca e Oswaldo; Afonso, Zé do Monte e Barbatana; Lucas, Alvinho, Vaguinho, Nívio e Murilinho. No jogo seguinte, contra o Eintracht Braunschweig na cidade de Frankfurt, mesmo sem ter perdido, o empate em 3 a 3 foi uma decepção. A equipe era fraca e não poderia nunca fazer frente ao esquadrão atleticano. As constantes viagens, o frio intenso, tudo isso colaborou para que o Atlético tivesse uma campanha irregular. Vaguinho, Alvinho e Murilinho foram os artilheiros. O Atlético jogou com Kafunga; Juca e Oswaldo; Afonso, Zé do Monte e Barbatana; Vavá, Alvinho, Vaguinho, Nívio e Murilinho. Jogo realizado no dia 26 de novembro. No dia 5 de dezembro, o Atlético foi para Luxemburgo mostrar o futebol brasileiro numa exibição contra a seleção dos clubes de Hamburgo. Outro empate por 3 a 3 também, numa partida cheia de alternativas. Vaguinho, Lauro e Nívio marcaram os gols. O Atlético jogou com Kafunga; Juca e Oswaldo (Márcio); Afonso, Zé do Monte e Barbatana; Lucas, Lauro, Alvinho, Vaguinho e Nívio. Não poderia haver local melhor para o último jogo do que a famosa Cidade-Luz, Paris. Ao entrarem em campo, os jogadores logo escutaram o barulho de baterias e cantarola de samba e marchas. Havia uns estudantes brasileiros entusiasmados para dar apoio ao time. Eram estudantes de Belo Horizonte e outras cidades do Brasil. Vitória do clube mineiro sobre o Stade Francais (atual Paris Saint Germain) por 2 a 1, com gols marcados por Lucas e Nívio. Foi um triunfo consagrador, onde o desejo de terminar a excursão com uma grande glória foi maior que o cansaço e o frio que atormentou os jogadores. Nessa partida atuaram Kafunga; Afonso e Oswaldo; Haroldo, Zé do Monte e Barbatana; Lucas, Lauro, Alvinho, Vaguinho e Nívio. Campeões do Gelo posam para foto na Europa A chegada da delegação em Belo Horizonte foi sensacional. O povo saiu às ruas para saudar seus ídolos. Cortejos foram formados, pois todos queriam participar da euforia que dominava o público mineiro. À noite, estava programado um banquete. Os jogadores compareceram e este contava com a presença dos diretores do Clube Atlético Mineiro e membros da sociedade de Belo Horizonte. As homenagens sucederam-se nos dias posteriores à chegada, com os jogadores requisitados pela imprensa e sempre contando os feitos da primeira excursão de um clube mineiro à Europa. Na tarde do dia 16 de dezembro de 1950, antes do jogo entre América x Olaria, os jogadores do Atlético desfilaram perante um enorme público, sendo bastante aplaudidos. Era o Atlético consagrando o futebol brasileiro no exterior.


No dia 18 de dezembro, dia da chegada do segundo grupo de jogadores, mais de 50 mil pessoas se movimentaram em Belo Horizonte para receber o Galo. Foi uma das maiores - senão a maior - recepções já vistas em Minas Gerais. Fazendo um balanço da excursão, o resultado foi bastante positivo. Foram disputadas 10 partidas, 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Marcou o Atlético 24 gols e sofreu 18. Seus principais Artilheiros foram Lucas, Nívio e Vaguinho, com 6 gols. Alvinho com 3, Lauro com 2 e Murilinho com 1, completaram. Apenas uma decepção foi registrada nesta excursão: o empresário alemão Kauternerk lesou o Atlético em uma altíssima soma além de não fornecer as passagens de volta para o Brasil. Fato este que resultou na volta da delegação dividida em dois grupos.

Este vídeo retrata o título imortalizado do glorioso Clube Atlético Mineiro, que é objeto do hino mais cantado no Brasil.

  Notem que naquela época o nosso galo não possuia nem camisa adptada ao frio e seu jogadores jogavam com agasalho coberto pelo manto sagrado, ao som dos narradores da alemanha e da comportada torcida. Época que ser jogador era mais uma questão de paixão e amor uma instituição do que meramente um interesse financeiro. Bons tempos! 

  Vídeo Homenagem da SPN: